PENSE NISSO ANTES DE SE SEPARAR
Há pontos de reflexão antes de
ter certeza de se separar. Passar pela cabeça que deve se separar é normal, são
etapas da vida que lhe dão sensações que devia separar. Também não faça em
momentos de crise ou de muita alegria. Concentre-se em resolver a crise, depois
que apaziguar seu coração, decida.
Escreva 7 cartas em 7 dias com
estes temas (não são frases, são textos):
- Você está feliz ou infeliz na relação? (Há quanto
tempo, porque acontece, o que faz ser feliz ou infeliz, é fruto de
expectativas realistas ou não?).
- Você vive esta relação ou vive imaginando o que ela
deveria ser? (coloque a pessoa tal como ela é, sem passar pano).
- Eu vivo às voltas com promessas não cumpridas? (não
precisam ser promessas orais, mas com comportamentos).
- Você se sente valorizado nesta relação? (rebaixado
ou enaltecido, ouvido ou silenciado, compreendido ou criticado, enaltecido
ou chacoteado, coloca limites?).
- Você tem medo da solidão? (acha que ficará só,
muito velho, ninguém vai lhe querer, autoestima ruim. Será que já não vive
uma solidão a dois? As coisas não precisam ser assim mesmo e, se não está
tudo bem, porque não paga o preço da solidão?).
- Essa relação soma ou subtrai na sua vida? (às vezes
a gente só soma na vida do outro, mas pode ser que se sinta muito
subtraída, e nisso se pergunte se está doando seu tempo e anos da sua
vida, quais ganhos e perdas tem nessa relação, há motivos para se sentir
grato nesta relação?).
- Você tem projetos em comum? (esta relação dá
sentido à sua existência, ou são pessoas que só vivem juntos a vida, pagam
as contas, criam filhos, e não compartilham projetos em comum, projetos é
chegar na velhice e ver que valeu a pena a relação).
Use como pontos de reflexão para
saber o que o prende na relação, se simplesmente tem medo de dar uma grande
virada em sua vida. Lembre-se que a escuridão é onde cai o dia, como num poço
fundo, onde a luz cai e se perde lá dentro. Mas, com coragem, pode pescar a luz
que caiu no poço e voltar a iluminar sua vida.
8 SINAIS QUE A RELAÇÃO
TERMINOU
- Não tem mais gestos bonitos com a pessoa, como surpresas
ou paciência.
- Faz contabilidade emocional, ou seja, só faz se o
outro fizer.
- Brigas por dinheiro, faz questão quanto cada um
contribuiu em algo.
- Ainda tem curiosidade pela vida do outro? Quer
saber como está, como foi o dia?
- Abandona o outro assim que discussão começa, e não
faz isso em momento algum.
- Não aprecia mais as pequenas coisas. Um café, andar
lado a lado ou de mãos dadas.
- Só se concentra nos defeitos do outro. À medida que
o tempo passa, os defeitos só pioram. A pessoa olha 99, mas vê o 1% de
erro.
- Não sustenta mais suas promessas. Não é mudar de
ideia, mas prometer sabendo que não vai cumprir só para o outro não encher
o saco.
Às vezes o que ainda lhe liga à
pessoa é o medo. A estrutura social (família, sociedade e religião) nos educa
que família não se desmancha, que é para sempre. Isso é uma visão distorcida de
família. Mas não se deve ficar num lugar que lhe faz mal.
SE VAI TERMINAR UMA RELAÇÃO,
FAÇA DO JEITO CERTO
É difícil, principalmente quando
a pessoa gosta de você e não lhe deu motivo para acabar, mas simplesmente seu
sentimento acabou. Não tem como fazer isso sem se sentir mal, alguém vai
sofrer, o outro vai lhe achar mau-caráter e lhe atribuir coisas que não são
verdadeiras.
- Seja autêntico, diga a verdade, não minta para
amenizar um sofrimento momentâneo, nem que precisa dizer que se apaixonou
por outra pessoa ou que a traiu. A pessoa via lhe odiar na hora, mas
depois vai reconhecer sua autenticidade.
- Empatia e compreensão pelos sentimentos do outro,
podendo até não concordar, permitindo que ela esteja furiosa com você,
seja solidário.
- Escolha momento e local apropriado, evite locais
públicos, datas especiais (aniversário, natal).
- Use comunicação não-violenta, sem culpabilizar,
agora não faz diferença, pois o que importa agora é que não sente mais o
amor, o porquê é irrelevante, a não ser que esteja tentando salvar a
relação. Qualquer coisa fora disso é violento. O que viveu foi importante,
virou uma grande amiga, o amor acabou, tenho outros projetos, me apaixonei
por outra pessoa. Não diga “o problema não é você, sou eu”.
- Diga tudo que quer, mas esteja pronto para ouvir o
que o outro precisa dizer. Tenha disponibilidade interna para ouvir com
atenção, com cuidado e acolhimento, pois o outro precisa expressar a
frustração, dor e raiva. Por mais que não veja sentido, e que tenha
vontade de sair naquele momento, terá que ser adulto em ouvir o que não
lhe interessa mais, pois se soube entrar deverá saber sair.
- Evite promessas vazias, não crie esperanças. Neste
momento não serão amigos, terão que refazer a vida. Quando tiver sofrendo,
não poderá ligar. Deixar claro que não há chance de voltar, pois é isto o
que sente agora.
SCRIPT DO DIÁLOGO
Existe algo muito importante
sobre o momento de comunicar essa decisão.
Você não precisa estar “feliz”
nesse dia. Nem totalmente em paz. Nem livre de tristeza. O que você precisa é
estar claro e sereno. A serenidade não significa ausência de dor.
Significa ausência de confusão.
O maior sofrimento costuma surgir
quando a mensagem é ambígua, quando a outra pessoa sente que ainda há algo a
ser convencido, revertido, negociado. Por isso, a forma como você comunica
precisa ser simples, honesta e assumida — sem culpar, sem justificar em
excesso, sem transformar em debate.
Aqui está uma estrutura emocional
saudável para essa conversa:
1. Comece reconhecendo o valor
da história de vocês
Algo como:
“Quero começar dizendo que nossa
história foi muito importante para mim. Construímos uma família, vivemos muitas
coisas juntos, e eu respeito profundamente tudo o que compartilhamos.”
Isso mostra que você não está
apagando o passado.
2. Fale da sua experiência
interna — sem acusar
Evite dizer “você não…” ou “nosso
casamento é…”.
Foque em “eu”. Por exemplo:
“Nos últimos anos, algo mudou
dentro de mim. Tenho sentido que já não estou vivendo com a mesma verdade
emocional. E, por mais que eu tenha tentado entender e lidar com isso, percebo
que não posso continuar vivendo dessa forma sem me afastar de mim mesmo.”
Isso evita transformar em ataque.
3. Seja claro sobre a decisão
— sem ambiguidade
Este é o ponto mais importante.
“Por isso, eu tomei a decisão de
me separar e sair de casa.”
Sem “talvez”, sem “acho”, sem
“não sei”.
Clareza é dolorosa, mas é mais
respeitosa do que incerteza.
4. Reafirme o compromisso como
pai/mãe (se for o caso)
Isso é fundamental para reduzir o
medo mais profundo:
“Isso não muda meu amor pelos
nossos filhos, nem minha responsabilidade. Eu continuarei presente todos os
dias, cuidando deles e sendo pai/mãe da mesma forma.”
5. Reconheça a dor, sem tentar
controlá-la
“Eu sei que isso vai ser difícil
e doloroso, e sinto muito por causar essa dor. Mas também sei que preciso ser
honesto com o que estou sentindo.”
O mais importante não é encontrar
as palavras perfeitas. É falar a partir de um lugar de verdade, sem se esconder
e sem atacar.
Também é importante você se
preparar para as possíveis reações dela: tristeza, raiva, negação, tentativas
de convencimento. Essas reações não significam que sua decisão está errada.
Significam que ela estará atravessando o próprio processo de luto.
Uma coisa essencial: depois de
comunicar, evite entrar em longas justificativas ou debates emocionais tentando
fazer com que ela “entenda” completamente. A compreensão dela virá com o tempo,
não no mesmo momento.
José Marcelo Barreto de Oliveira - Psicólogo
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